sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Copa do Mundo é uma série bacana, recomendo!

Como nós, milhões de pessoas que não podem ir à Copa do Mundo, vivenciamos os jogos?
Se você respondeu "através de uma transmissão audiovisual ao vivo", a resposta está exata! Mas, temos noção da dimensão disso?
Ronaldo Passarinho, em seu blog (http://www.orm.com.br/blogdecinema/), postou algo que estava me interessando mais que tudo nessa copa: os filmes de 90 minutos que eu assistia na tv. Um deles se chamou "Gana X EUA", e o final chamou muito a minha emoção acerca do paralelo entre vitória e derrota que foi estabelecido no discurso cinematográfico, mas essa contemplação da minha parte não foi transparente, percebi que quem escolhia o tempo de permanência daquelas imagens (o "decupador ao vivo") foi construindo o pós-jogo com a alternância de planos curtos de Gana comemorando e planos longos dos EUA lamentando, e aos poucos foi aumentando a duração dos planos de Gana e diminuindo a duração dos planos dos EUA, tudo isso em planos próximos dos jogadores, captando rostos em lágrimas, de felicidade e de tristeza. Foi fazendo esse jogo intimista, a duração de Gana sufocando cada vez mais a dos EUA, até que um plano geral do campo apareceu, e então não víamos mais nenhum jogador do time americano, o gramado tomado pelo time africano. Nesse filme também teve uma câmera lenta que se justificou esteticamente: os dois goleiros em sua luta aérea nos últimos momentos da prorrogação, quando o americano, "melodramaticamericamente", correu para a redenção - aqui, gorada.
No também melodramático jogo de Gana X Uruguai (o "melo" do "drama" sendo as vuvuzelas) percorremos num travelling, depois de um final de prorrogação de reviravoltas estonteantes, a caminhada dos jogadores até a bola para a cobrança do pênalti. A tensão dessa caminhada fez a Janaína sentenciar: "Égua, parece que ele tá indo para gilhotina!". E era o que parecia (senão o que era), e tudo isso emocionalmente possível por causa do bom e velho movimento de câmera (e de grua, diga-se de passagem).
Acho que passo por um fase em que o cinema se comunica espiritualmente comigo mais do que o futebol. Queria fazer esse texto analisando a final (que esperava ser Brasil x Argentina), mas depois do ocorrido, decidi ir despejando logo o meu papo furado...

Aí uma foto do Cristiano Ronaldo, a Lady Gaga do futebol: só mídia! O aparato de gruas e telões atrapalharam bastante a seleção de Portugal

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