segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Sobre ensaios sobre a luz nas trevas
domingo, 7 de outubro de 2012
O registro e o nada
quando tomo bolas
como não as tomo
Alo alo
Mateus Moura.”
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
/matou o cinema #hà banda dos compositores
terça-feira, 18 de setembro de 2012
MANIFESTO-ME hÀ FAMILIA (no rastro do que sobrou)
*fragmentos de notas que não entraram na edição final que fiz do texto "Manifesto-me hà Familia", publicado recentemente na Revista Gotaz (http://gotaz.com.br/)
domingo, 16 de setembro de 2012
MANIFESTO-ME hÀ FAMILIA
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Só mente imagens (É ternamente Rollin)
Quem disse que a sensação ao ver um filme deve ser eternamente essa análoga à de acompanhar uma história como seguimos um romance em sua leitura e vê-la como sentimos o teatro em sua ação? Quem disse que a sensação não pode ser aquela análoga à da contemplação de uma fotografia de Duane Michals, ou à emoção de ouvir uma interpretação de Wes Montgomery, ou ainda o prazer de compreender um conceito desenvolvido por Immanuel Kant?
E por que tantas analogias com processos contemplativos de outras artes e saberes para falar de cinema? É por que parece ser o principal problema dos olhos presos: o condicionamento a uma forma engessada de contemplação. Isso é fruto de uma imposição de uma “monocultura Cinema Clássico”, do “latifúndio Hollywood”, ou de uma particular “preguiça ao novo”, de uma natural “repulsa ao marginal”? A culpa é de quem? O que importa é que os filmes de Rollin são litros do melhor colírio para a libertação dos olhos, e, logo, da imaginação.
Inspirado pelas histórias fantásticas de quadrinhos, as séries de cinema de aventuras, os quadros surrealistas e os pesadelos inesquecíveis de sua tenra infância, Jean Rollin legou o exemplo contundente de que a honestidade à invenção que ouvimos de nós mesmos é a maior herança que podemos deixar à humanidade.
Da gang dos cineastas “exploitation” - gênero de filmes de baixo orçamento que tem como principal característica o uso de apelativos comerciais como a violência gráfica e o erotismo exacerbado - saíram grandes cineastas, dos anos 70 até hoje, cineastas que atravessaram tais concessões para ressignificá-las esteticamente, atingindo o belo através da catarse da paixão corporal e da explosão dos sentimentos. Rollin, considerado “cineasta classe Z”, segue um caminho ainda mais tortuoso. Em seus filmes, cenas de violência ou de sexo existem aos montes, mas são cine-encenadas não com o interesse de deleitar, através da transparência do aparato, o espectador ávido para atiçar suas pulsões escópicas pervertidas; ele propõe a opacidade, o distanciamento, o olhar contemplativo para a condição de um ser e de um cinema. Pobre, Rollin não escamoteia os poucos recursos de sua produção, antes escancara... revela assim não o “tosco”, o “mal feito”, mas o “artificial”, o “verdadeiro”... nas cenas de sexo tudo é falso, escancaradamente falso, não lhe interessa que o espectador se envolva com o sexo sensualmente, mas enquanto imagem em construção; propõe um olho que lê, que tem consciência que sonha. Seus atores são amadores ou vem das fitas pornôs que realizava com pseudônimos para poder fazer seus filmes mais autorais. São, na verdade, antes de atores, modelos, e antes de modelos, corpos, e antes de corpos, imagens. Briggite Lahaie, sua vampira mais famosa, era vista por ele como uma “estátua viva”, ou uma “pintura viva”, não tanto uma atriz.
Rollin transgrediu tudo, mesmo convivendo no meio mais transgressor. No gênero horror transgrediu sua mitologia, criando posturas e relações inusitadas de personas como o vampiro e o morto-vivo; transgrediu também o tom, renegando os efeitos atmosféricos fáceis para causar medo ou repulsa, perseguindo acima de todos os tons o do feérico mistério – a essência da beleza do sonho; transgrediu também a representação naturalista ou clássica dos filmes deste viés, e abandonou qualquer explicação de traço psicológico para seus personagens ou condições de verossimilhança para seus enredos. Reinventou tudo isso, e ao invés de contar estórias mais filosofou acerca do sublime e da morte, assim também ao invés de pintar quadros figurativos mais coreografou música entre aparições de olhos e gestos de corpos.
Alguns cineastas atingem o cinema, outros partem dele. Jean Rollin, cinepoeta surrealista de primeiro time, AMADOR no sentido buñuelístico da palavra, faz parte dos que partem da essência. Se seu cinema é pouco reconhecido pela maioria do público e da crítica é porque este artista amou demais as imagens. Amou além de todos os vícios que o cinema engendrou enquanto cultura.
La nuit des traquées (As fugitivas). 1980
“O misterioso vírus que acomete os personagens de La Nuit des traquées (1980), extraindo-lhes a memória, é outro exemplo de desconstrução do gênero por Rollin. Filmado numa Paris entre a madrugada e o amanhecer, num imponente edifício comercial vazio, o thriller de perseguição que o título ("A Noite das Perseguições") sugere converte-se num poema visual entre o grotesco e o sublime, no qual as buscas dos protagonistas são “apagadas” constantemente, rompendo com o desenvolvimento narrativo convencional.” : Assim, o crítico paraense Adolfo Gomes - quem me apresentou o cinema de Jean Rollin -, descreve o filme. Adolfo considera o cineasta francês o “Brecht dos vampiros”.
“Era noite. Veronique estava nua. Ela me larga. Eu estou perdida na noite. Totalmente só. E depois, a luz como um trem. Enfim, é tudo.” Assim, tateando a mente, Elizabeth (Briggite Lahaie) persegue imagens.
No entanto, tudo só existe no instante. O resto é vago, é dubitável, é memória. Só o presente é real, só a duração é.
A fotografia capta um fragmento da realidade exterior, o cinema capta a duração de um momento (o presente em fluxo). E a obra, enquanto feérie, é a mentira enquanto realidade (ou a verdade da invenção); o cenário é “La Defense”, o principal prédio do maior centro financeiro de Paris. Ele se transforma na “Torre Negra”, onde zumbis transitam entre corredores. Paris se transforma num amontoado de torres. Da torre onde habitam esses seres se vê apenas o Arco do Triunfo como esperança.
Toda grande ficção científica é a metáfora clara extremamente enigmática da realidade que cerca a existência do autor. Fornos crematórios, trens-fantasmas, a angústia profunda da noite, a sensação de desorientação e da perseguição de forças burocráticas, os olhos vazios, os homem ocos, a higienização dos diferentes, a reação nuclear - toda relação que se possa fazer com a vida moderna não é mera coincidência.
Jean Rollin foi, no cinema, um dos mais originais arautos do insólito, do encantamento, do fantástico, do horror, do sonho/pesadelo. Foi também um dos mais honestos estetas, um apaixonado pela beleza das puras imagens. Filho do onírico, criado pelo bizarro, perseguiu o sublime. Não foi aceito pela cultura. Seguiu, rumo à arte. Como Robert, deixou-se conduzir pela musica dos violinos que só a trapaça das musas-vampiras pode escutar. “Se se portar bem, encontrará sua amada”, diz ela. Robert dança, Rollin dança.
E quando perdemos o senso do gesto, do equilíbrio, da imagem justa, quando o que nos ofereceram enquanto Beleza não encaixa à essência que escorre pela nossa imaginação? Aí é preciso reconstruir, instituir – nem para si, por soluções. É quando fechamos os olhos, olhamos a memória vazia, e inventamos imagens para poder ser enquanto linguagem. Imagens de um passado, um futuro? Apenas imagens. Somos vivos enquanto somos tomados pelas imagens, e quando apenas tomados pelas imagens – como quando vivenciamos a experiência cinematográfica - morto-vivos. Somos morte em vida, assistindo; acompanhando a morte como vida, na tela. A única coisa que existe é o instante presente. O imediato.
A última cena só pode ser comparada em beleza no cinema de horror na cena final de The Beyond de Lucio Fulci.
Ela caminha no trilho do trem, talvez atrás da primeira imagem que teve acesso durante o filme, quando Robert, com seus dois faróis, surgiu para resgatá-la da fria noite que é o passado (aquilo que não existe). Do trilho caminha para um grande portão de ferro, o abre, e começa a travessia da ponte. Ela não é mais humana, animal ou planta, se arrasta sem cérebro, alguma força a arrasta por aquele caminho, alguma força gera a imagem. Robert atravessa o portão, leva um tiro na nuca, e agora peregrina o caminho do além. No mesmo estado podem caminhar, sem precisar se lembrar do nome um do outro, nem outras convenções. Não há mais máscaras, identidades, angústias, doenças ou prazeres, apenas a eternidade, enlaçada pelas mãos.
Mateus Moura (APJCC – 2012)
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Elegia?
-Faltei o primeiro dia porque estava trabalhando, afinal a programação começa às 17h... será que é por isso que o público não está frequentando?
Foram essas perguntas simplórias que caminharam pela minha mente até aqui. E também as imagens, de uma Belém de outrora com discursos de outrora, de ficções descobertas em estilos próprios, de modelos que não expressam a complexidade da região (visível e invisível), de espaços de experimentação abertos por ousadias e idiossincrasias, de id-entidade conterrânea complexa e multifacetada, etc.
À subjetividade, alimentar-se do que frutificou a terra em que se pisa, ajuda na percepção do todo (e logo de si), do passado (e logo do futuro).
Agradeço o presente.
domingo, 22 de abril de 2012
pequeno ensaio Pro Ensaio Geral
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Texto para Filme Demência, na estréia do MATADOURO



sábado, 7 de abril de 2012
Rascunhos de uma pedagogia a partir do cinema (I)
Exercício 1: ver A grande testemunha de Robert Bresson. Virgem, acompanhar todo o seu fluir. Depois ler bastante acerca, tanto descrições do seu enredo, quanto críticas mais profundas. Quando tiver certeza que o filme já foi todo lido pelo seu intelecto, voltar ao filme, revê-lo (aqui você já sabe tudo o que vai acontecer, não haverá mais preocupações em tentar adivinhar o que sucederá), você já pode ver o filme de novo, não precisará tentar enxergá-lo. Aqui não precisa mais ler, pode contemplar. Trocar a pré-ocupação pela ocupação. Agora, o próximo passo é ouvi-lo. Deixar o filme rodar, escutá-lo apenas, de olhos fechados - adentrar seu mundo sonoro. Depois o mesmo apenas às imagens. E por último, revê-lo, som-imagem (quantas vezes quiser – sempre será diferente, e mais profundo).
Exercício 2: aplicar a mesma metodologia à Intriga Internacional de Alfred Hitchcock.

Assim é: como o título
Só mudando o sentido das palavras poderemos entender o real sentido da existência delas. O mesmo a qualquer linguagem que engendramos no contato com as coisas.
Nós (nós) nem precisamos realmente mudar o sentido (com o nosso Poder), apenas Quedar diante das coisas, esperar observar o movimento: as diversas formas que elas tomarão.
Que inenarrável beleza é demorar ante uma imagem: examinar o Tempo.
Sozinhos ademais plenos na noite estrelada teremos sempiternamente ela: a linguagem, como companhia e companheira.
talvez seja um vício talvez virtude
Sei apenas, que nessa relação Um existe dentro do Outro;
há, naturalmente, uma inter-dependência. é o Cosmo (palavra & sentido)
Eu a escuto
Ela me escuta
e quando,
Uníssonos,
cantamos no silêncio,
somos virgem, gêmeos.
Ela diz quando me escuta:
-Não digo nada de novo. Com a experiência percebi que coisas valiosas da humanidade não eram generosamente ouvidas por causa das pedras do pré-conceito e da distração. Com o que aprendi quis convencer, humildignamente, através da beleza cintilantemente ilusória do barril de embriaguez lúcida chamada linguagem, o que todo mundo sabe dentro e o esquecimento velou.
E eu, quando a escuto, discuto:
-Ter um posicionamento crítico verdadeiro não é defender um ponto de vista, mas convidar, humildignamente, o outro a habitar as veredas da materna pensamenta.
Depois transamos, às vezes gozamos ao mesmo tempo às vezes não, mas sempre nos satisfazemos. E depois dormimos. Eu sonho com ela, ela move meu sonho, e nos esquecemos no son(h)o de um agora outro (outrora).
E aí o dia amanhece, e tenho que sair da caverna do ninho nosso amor, porque preciso caçar, ganhar, pagar. Ela fica triste,
Assim é: fa minto
como uma melodia
Mateos
domingo, 4 de março de 2012
Meu herói favorito é Jesus Cristo
O conceito de ‘anti-herói’ é uma falácia, não significa nada. Quanto ao ‘herói’, este nunca foi nada senão um problema (de Édipo a Beatrix Kido). Essa idéia de ‘herói’ como modelo jamais existiu – não nos grandes mitos. Quando nascem os primeiros heróis? Quem são? Aquiles, Ájax, Odisseu? São eles modelos!? São sofredores dilacerados, multifacetados, invejosos, vaidosos, fortes, belos, guerreiros, assassinos, conduzidos pela Paixão e o Destino, mortais, semi-deuses... como pode um ser que na sua própria gênese é algo entre homem e deus ser algo que não a própria contradição? O herói que não sofre e não vivencia em seu périplo ficcional esta dimensão paradoxal entre o divino e o humano, o eterno e o frágil, o sagrado e o abismo, a iluminação e a dúvida não merece ser chamado como tal.
Quando nasce o primeiro ‘anti-herói’? Que diabos significa ser um ‘anti-herói’? Conceitualmente entendemos que é o oposto do herói. Logo, o ‘anti-herói’ só pode ser um modelo (de virtude, bondade, honra, beleza). Ora, pensei que talvez o único ‘anti-herói’ da História da Estória fosse Jesus Cristo. Mas, se assim fosse, que Graça teria?

Mateos.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
pequenas palavras de Grandes lições


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Conduzir
Os apocalípticos que durmam ou suicidem-se de uma vez, o Cinema respira a plenos pulmões.

Drive.

Títulos, palavras, assim como as elipses e os intervalos, parecem revelar muitas vezes seus sentidos através de veredas suaves. Como o nome do Arcano VII é 'O Carro', o nome do “conto de fadas” de Refn é 'Drive'. Do personagem principal – da lâmina e da película – não nos é revelado o nome próprio. Ficamos com sua imagem, apenas. Não precisamos de mais nada. É que assim como o personagem d’O Carro, o motorista deste filme não quer sussurrar acerca do ego, mas do Eu. Não é um humano, é um mito – já é o Enamorado, agora é também o Condutor (ou o Conduzido pelo Eu?). Faz o que tem que ser feito. É movido pelo sentimento regido pela ética – subsumida a sensação, a emoção, o intelecto, a intuição e a arte. Para conhecê-lo devemos, como espectadores, assistir seus atos. No Cinema assim postulou Hawks, mas existem outras facetas dessa linguagem...
Drive. Uma única palavra simboliza tudo o que este filme representa em sua essência: Que Diretor! O ritmo de suas transições, as respirações de suas cenas de ação (interior ou exterior), a melodia de seus banhos de luz e sombra, a apoteose de suas câmeras lentas, suas sobreposições, seus contracampos guardados no silêncio, sua mise-en-scéne. Sim, de novo, “pôr em cena” – não há como não se inebriar com mortes tão belas: são poemas visuais, descrições dramáticas que atingem o estado pictórico mais sublime!
Do “novo tradicional”, Drive é uma das navalhas mais rigorosa e sensivelmente forjadas, atravessa-nos as veias, causa-nos vertigem, adentram o nosso sangue. Acompanhar esse balé de imagens-movimento reacendeu o meu fascínio por esse cinema que a todos contaminou.
E me deu vontade, mais uma vez (mesmo que distante recentemente desse cinema), de louvar novamente os velhos mestres: Hawks, Ford, Lang, Walsh, Preminger, Hitchcock, e Leone, Melville, Siegel, Hughes, Ferrara. Mas não devo cair no saudosismo, assim como Refn e todo o grupo de cineastas que citei mais acima não cai. Lembrando a célebre sentença de Henri Langlois, “o cinema é um produto comercial e como tal deve ser queimado; mas atenção, queimado pelo fogo interior”. Assim renascem das cinzas todos esses novos mestres. Clint os acompanha. De Michael Mann, Nicolas Wedding Refn é o filho mais singular. E a Juliana Maués tava certa: Drive realmente é um dos grandes filmes de 2011.
Mateos.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
asas aves homens máquinas vôos

capturava os animais no campo da eternidade.
Embalsamador do intervalo, enquadrava o ladro.
Vampiro amador, colecionador de instantes,
iluminado pelo alvo, mirou o átimo.
Na prata encontrou o vôo, alçou o ouro.
Entre o negativo e o positivo foi o pólo,
magnético ôntico ótico.
Inventou o primeiro cativeiro-paraíso.
Lá, domesticou com cuidado
os primeiros fantasmas.
E alquimizou seus rastros estáticos,
em êxtase.

que souberam como ninguém
engaiolar aves.

Mateos.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
O que está fora de campo é como o que está dentro de campo. Não 2, nem 1 (nem 3 - imperatriz); é: 0
1º o link:
http://www.youtube.com/watch?v=RIKOBzEuyGY&feature=youtu.be
Só uma coisa supera a realidade: a realidade na eternidade.
Quando não importam mais gramáticas, linguagens, técnicas,
apenas revelações.
Nem um milhão de signos poderiam expressar todo
o campo semântico
da fenda, que o abismo do tempo suga para
um em si.
O extraordinário só pode surgir no ordinário,
no intervalo dos fluxos (também fluxo);
no sagrado do presente.
É só um milagre.
... enteogenia a partir da substância Realidade,
em liturgia deste lírico em máquina colhendo-se o Eu,
Parto
lár
no dia 04/01/2012.
Mateos.
p.s: mais um “texto deixaràstros”, imundo de bruxuleios